Desabafos

A MORTE

Desde muito cedo soube o que era a morte. Infelizmente e precocemente perdi pessoas importantes na minha vida, desde amigos de infância durante a mesma a familiares próximos, amigos, e conhecidos.

Aprendi desde cedo a respeita-la e a aceita-la, acho que aceitar é a palavra certa. Percebi desde cedo que a vida é apenas uma passagem e cabe a nós aproveita-la ao máximo porque não sabemos quando a morte nos irá bater à porta. Aprendi também a não deixar nada por dizer, e obrigo-me constantemente a demonstrar os sentimentos que tenho pelo próximo (mesmo sendo eu uma desnaturada e que não faça parte da minha natureza) mas quero sempre que saibam o quanto admiro, aprecio, tenho carinho ou amo a pessoa, porque amanhã não sei se o vou poder fazer, nunca sabemos se vai ser tarde de mais. Não levo a morte de forma leviana, não, pelo contrário, mas levo-a tão a sério e com tanto respeito por ela, que a aceito, embora custe. Não me revolto, porque a aceito, porque sei que é um dado adquirido e por acreditar que ela acontece quando tem que acontecer. Todos nós temos a nossa maneira de a enfrentar, eu sou bastante fria e pragmática.

Nos últimos tempos perdi pessoas bastante importantes para mim, principalmente com a morte do meu avô materno, que enfrentei de forma fria, talvez conformada por uma doença a qual acompanhei sempre em todos os passos dados, o Cancro. Talvez por já ser “crescida” a morte fica-nos mais próxima, vêmo-la e sentimo-la de outra forma, começamos a ver cada vez mais gente a partir.

Há uma semana atrás, partiu mais uma pessoa que era próxima, o meu vizinho do lado, pessoa que apesar de ter mais 10 anos que eu, sempre “me acompanhou” a mim e à minha família, principalmente à minha irmã, eram os melhores amigos, custou… mas mais uma vez aceitei. Não querendo entrar em detalhes vou explicar resumidamente o que aconteceu: O Sergio, meu vizinho, sentindo-se doente recorreu aos médicos, depois de se submeter a exames e tudo o que era possível e imaginário lá descobriram que tinham cancro na medula. Outra vez esse sacana! Mas estava numa fase bastante inicial o que gerou animo positivo, começou a quimioterapia e estava pronto para vir para casa. No dia em que iria sair do hospital, o Sergio,  sofreu um embolia cerebral e entrou em pré-coma e ainda lhe foi feita uma cirurgia durante 6 horas, sendo que as expectativas não eram as melhores. Infelizmente não sobreviveu. A morte quando nos bate à porta é feroz, é quando tem que ser, sem avisos, sem compaixão. O Sergio ainda no hospital, apercebeu-se de algo e confessou à minha irmã: “Eva, eu tenho 40 anos e não vivi, não aproveitei nada da vida”. E nós que estávamos por perto bem sabíamos disso. Infelizmente não teve tempo para aproveitar a vida, mas nós ainda vamos a tempo, vamos aproveita-la ao máximo, não deixar nada nem por dizer nem fazer, focar-nos no bem e nos nossos, e não desperdiçar cada momento que pode ser feliz. Hoje sou eu a pedir-vos, vivam ao máximo, sem qualquer desperdício!

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From a very early age I knew what death was. Unfortunately and early I lost important people in my life, from childhood friends during the same to close relatives, friends, and acquaintances.

I learned from an early age to respect and accept it, I think accepting is the right word. I realized early on that life is just a passage and it’s up to us to enjoy it to the fullest because we do not know when death will knock on our door. I also learned to leave nothing to be said, and I constantly force myself to express my feelings for my neighbor (even though I am a denatured and not part of my nature), but I always want them to know how much I admire, appreciate, love or love the person, because tomorrow I do not know if I can do it, we never know if it will be too late. I do not take death lightly, no, on the contrary, but I take it so seriously and with so much respect for it, that I accept it, although it costs me. I do not revolt because I accept it, because I know it is a given and believe that it happens when it has to happen. We all have our way of facing it, I’m rather cold and pragmatic.

In recent times I have lost important people to me, especially with the death of my maternal grandfather, which I faced coldly, perhaps conformed by a disease that I have followed in all the steps given, Cancer. Perhaps because it is already “grown up” death gets closer, we see it and we feel it in a different way, we begin to see more and more people leaving.

A week ago, another person who was close, my next door neighbor, a person who despite being ten years older than me, always “accompanied” me and my family, especially my sister, were the best. friends, cost … but once again I accepted. Not wanting to go into detail I will briefly explain what happened: Sergio, my neighbor, feeling sick, he turned to the doctors, after undergoing exams and everything that was possible and imaginary there discovered that they had cancer in the marrow. That bastard again! But it was at a very early stage which generated positive mood, started chemo and was ready to come home. On the day he was to leave the hospital, Sergio suffered a stroke and went into pre-coma and had surgery for 6 hours, and expectations were not the best. Unfortunately it did not survive. Death when it knocks on the door is fierce, it’s when it has to be, without warning, without compassion. Sergio still in the hospital, he realized something and he confessed to my sister: “Eva, I’m 40 years old and I did not live, I did not enjoy anything in life.” And we who were around knew that. Unfortunately we did not have time to enjoy life, but we still go on time, we enjoy it to the maximum, leave nothing to say or do, focus on the good and ours, and do not waste every moment that can be happy . Today I demand you, live to the fullest, without any waste!

The author: seni

"Enquanto muitos viajam para fugir, ela viaja para se encontrar, é como se os lugares conhecessem partes da alma dela, partes que ela ainda não conhecia."

1 Comment

  • A palavra é mesmo essa! Aceitar!!! Mas é difícil Seni . Por isso concordo plenamente com todo o teu texto. Tenho 50 anos e tento viver ao máximo dentro daquilo que a vida me permite viver mas cada dia que acordo vejo que estou na meia idade e ainda não vivi tudo,o tempo passa rapido, ” ontem estava com is meus 35 idade maravilhosa vivências muitas de repente estou nos 50 e com a mentalidade dos 35″ todos os dias tento mostrar as pessoas que gosto qye as amo e digo.

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