Desabafos

A GERAÇÃO DA OSTENTAÇÃO

Cada vez mais me identifico menos…

Vivemos numa era de ostentação, do parecer em vez de ser, do ter em vez de viver.

Não quero entrar pelo caminho da critica acesa mas às vezes, sinceramente, é o que apetece!!

Viver mais do que se pode, fazer parecer que se tem o que é do outro. Querer viver um estilo de vida que nada condiz com a realidade, todos temos sonhos, cada um o seu, então que se trabalhe para lá chegar, seja ele qual for o sonho. Mas parece que precisamos de ostentar para sermos aceites pela sociedade, para impressionar quem nem sequer conhecemos!

Não me interpretem mal… Cada um gasta o seu dinheiro como quer e bem lhe apetece, foi ganho com o seu tempo e esforço e só ele saberá o que para ele é valido ou não, mas falo nisto no sentido de reflexão… Eu própria já passei por essa reflexão, também tenho os meus luxos, mas cada vez mais comedidos.

As redes sociais são inundadas com fotos de ostentação, de carrões, barcões (já repararam que este ano as fotos em barcos e iates estão muito in ?!!), restaurantes xpto, verões passados no Algarve cheios de ritmo e garrafas para aqui e para acolá… viagens magnificas (essas não critico muito, são experiências e que nos acrescentam). Somos todos tão felizes, mas no fundo miseráveis. Falo disto porque também já me calhou a mim, é verdade também já gostei imenso de ter aquela mala de marca, e tive, e era super gira, todo el mundo olhava para ela, agora está encostada num canto qualquer do closet, e por lá irá ficar durante muito tempo, será sempre um tesouro (nem que seja pelo balúrdio que dei por ela) mas e a felicidade? Onde está? Não, não está nela, talvez tivesse vivido um momento pontual ao comprá-la ou nas primeiras vezes que a usei, uma felicidade fútil, e sem sentido, hoje vejo as coisas um pouco diferentes, procuro a felicidade em ser, sim, em viver em vez de ter….
A maior ostentação que podemos ter é a da felicidade que advém da vivência, da experiência, do amor, da gentileza, da partilha, e esses são os padrões que nos definem, não a conta bancária que temos ou aquilo que parecemos ter, ou até temos.

E tu? Tens ou és?

The author: seni

"Enquanto muitos viajam para fugir, ela viaja para se encontrar, é como se os lugares conhecessem partes da alma dela, partes que ela ainda não conhecia."

7 Comments

  • Bom dia! Adoro o desabafo. Eu sempre tentei viver a vida e sempre cpm testoes contados, deixei de comprar a moda em marcas e comecei a viajar e a conhecer o que me faz feliz, tenho a sorte de ter bons amigos e a partilha é uma constante entre nós e assim vou conhecendo um pouco de mundo. Lema é viver a vida e deixar que cada um viva a sua sem criticar. Beijinhos

  • Adorei o desabafo, a maturidade traz nos clareza e faz nos ver as coisas e o mundo de outra forma. A maternidade mudou-me hoje sou uma pessoa mais feliz. Os bens materiais não nos fazem assim tanta falta como achamos que sim… beijinhos continua a escrever que eu gosto imenso de ler o que escreves.

    • Obrigada pelo comentário querida Irina! É tão bom ler estas coisas!!. Exacto, tem a ver com uma questão de evolução, de maturidade, de percebermos quais são as prioridades da vida, há quem nunca evolua ou até evolua mas se sinta muito bem nesse papel, aqui apenas quis além de dar o meu exemplo, colocar as pessoas a pensar…

    • Poderá ser se for para os outros, quando é feito para o próprio, para se sentir bem e acrescentar algo, mesmo que por questões estéticas, não sei se poderá ser visto como uma ostentação. Não poderei falar por outros, por isso falo no meu caso especifico, foi algo que eu fiz por mim, para me sentir bem comigo própria, porque achei na altura que seria o correcto para mim e não nunca para agradar os outros, mas provavelmente há quem o faça por uma questão de aceitação social, porque poderá chamar mais atenção, etc.

  • Andava na divagação da navegação quando dei de frente com este blog. Boa. Não conhecia. Gostei. Voltarei. Não ostento, nunca o fiz. Primeiro por não poder, depois por opção. Prefiro as pessoas ao dinheiro. Prefiro tanto mas tanto mais realizar me a criar, ensinar ou partilhar, que qualquer outra ação fora deste âmbito será apenas pela pura diversão. Quanto à temática do botox e silicone que li nos comentários, parece me que não se trata de uma questão de ostentação mas mais de um toque eventualmente saudável na auto estima. A mim preocupa me mais quando as plásticas, o alinhar dos sorrisos e demais retoques tornam todos e todas mais ou menos iguais.

    • Olá Miguel, ainda bem que nos encontrou, e fico feliz por ter gostado do texto! Partilho da sua ideia passo a citar: “Prefiro as pessoas ao dinheiro. Prefiro tanto mas tanto mais realizar me a criar, ensinar ou partilhar, que qualquer outra ação fora deste âmbito será apenas pela pura diversão.”. É isso! É muito isso! Beijinhos e espero que nos continue a ler.

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