Desabafos

VIVER E ESQUECER…

Nada nesta vida é eterno, principalmente na nossa cabeça!Quando era pequena, ou melhor, mais jovem, pensava que seria nova para sempre, ou pelo menos durante muito tempo. Pensava que o tempo não passava tão rápido, que a vida esperava por mim assim como eu espero por ela (gaja egoísta pah…).

Lembro-me perfeitamente, nos meus 15/16 anos, brincar muito com a minha mãe em relação à memória dela. Ela esquecia-se de coisas básicas e até de palavras normais, usadas no seu dia a dia, e ficava fula com isso. Eu ria-me e ela logo me dizia que qualquer dia eu também iria ficar assim. Eu ria-me ainda mais e respondia-lhe que jamais isso iria acontecer comigo.

Eu só queria crescer, chegar aos 20 e poucos e quando me imaginava com 30, via-me completamente no auge: uma mulher super empreendedora, com filhos, gira gira gira e vestida para matar… e com uma memória de elefante!

Cheguei aos 30 meus meninos e… o tal do “gira gira gira” não vou comentar para não ser criticada e gostos não se discutem, mas a memória, oh Deus, não me acompanhou neste processo.

Mas na realidade começo a sentir realment esta tragédia só agora, mas quando digo sentir é sentir mesmo, porque já não me lembro tão facilmente das coisas, já troco o nome das minhas filhas, não me lembro tão facilmente de algumas palavras… acho que a terceira idade está realmente perto!!!

É uma sensação terrível e pergunto agora à minha mãe como é possível viver com isso, porque sim, estou a ficar desesperada, porque se já estou assim aos 32, meus amores, aos 40 vou andar com uma tableta pendurada ao peito com o meu nome, morada, telefone e data de nascimento. Imaginem que me perco pelas ruas de Portugal?!?!

A Yasmin fica maluca comigo, não só por lhe chamar Kyara de vez em quando, mas por lhe pedir favores do tipo “Filha, traz à mãe aquilo que está em cima daquela coisa, por favor?” ou quando me liga “Oi mãe, diz!”… Do outro lado do telefone, ela bem lixada comigo, só me diz “Não sou tua mãe, sou tua filha ok?”.

Enfim… Com o tempo as coisas mudam realmente: tudo cai, menos a gengiva que é a única coisa que sobe, e a memória… essa tal de memória desvanece, desaparece, envelhece… Pergunto-me: e aos 40? O que irá sobrar de me, myself and I? Quem serei Eu?

The author: marta

" (...) tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna."

3 Comments

  • Eheheheh…. és tão divertida! Aos 40 entras na idade a que chamamos entas kkkk pk até aos 90 é sempre entas kkk serás sempre a Marta Cruz kkkkkk só com algumas diferenças, com mais vivência,mais sabedoria,mais ponderada em certas atitudes e até mais paciente com tuas princesas e preparadissima para seres avó!! Kkkkkkkkk

  • Dizem que é bom exercitar não só o corpo, mas também o cérebro. Por exemplo, estudando algum assunto de interesse pessoal, só por curiosidade. Pelo menos, a parte da memória e do vocabulário é estimulada. 🙂 É necessário aprender a viver com essa passagem do tempo, mesmo que se notem as diferenças, talvez algumas até sejam melhores. 🙂 Beijinhos

  • Boa noite Marta Li o teu post, e acho que todo o velho tem uma boa e má fase da vida..
    É verdade que ao chegarmos ao 30 muitas, coisas ficam diferentes, muitas das responsabilidades aumentam, em especial para quem tem filhos etc..
    Mas ao chegarmos a esta bonita idade, na qual me encontro nos 30 certos. Eu penso que todos os sonhos, como referes acima de mulher empreendedora, memoria de elefante etc etc. Podem não acontecer das formas que pensávamos/sonhávamos.
    Mas o mais importante é que temos saúde. Aos poucos ela vai dando uns “toques” umas mini gripes entre outras, mas o resto estamos bem sorrimos, pulamos entre muitas coisas negativas que nos ajuda a crescer.
    A parte de trocares o nomes dos teus pequenos, sim é realmente, um choque em cadeia hehehhehe, mas isso não faz de ti má mãe! Todos nos até as vezes mesmo nos 20 ou mais novos temos falhas na memoria.
    A idade dos “INTAS” a qual tu estas e eu cheguei, é uma boa idade, idade subir para novos patamares, conhecimentos, que nunca são d mais.
    Idade ao qual a mulher fica mais madura, (algumas) adquirem um certo charme, o toque nas palavras muda, os sorrisos tornam-me mais brilhantes. E tocando no ponto da beleza, algumas de “vocês” neste caso tu.
    Pareces ter um certo mistério, uma beleza simples mas que transborda boas energias, uma miúda/mulher graça com muito para dar, mas meio protegida..
    Ao que chamo beleza “camuflada/exótica”
    Bruno Filipe

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